
“Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Claúdia. […] A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo “nada”, eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram muito, Claúdia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se no Facebook e nas redes sociais da Net onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, “leves”, disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem essa estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo a seus pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão.”
Miguel Sousa Tavares, in No Teu Deserto.
Todos os dias adormeces depois de ver “Friends”, numa irracional tentativa de te enganares a ti próprio, tentando convencer-te de que não estás sozinho. Nisso, tentas passar uma rasteira a ti próprio. O pior, é que te apercebes antes que o coûp-de-grace faça efeito. Apercebes-te daquilo que a criancinha em ti está a tentar fazer, antes mesmo de te convenceres do contrário. E aí, sim, concluis que não apenas estás sozinho, como também pareces um palerma de 13 anos. Dás-me pena!
Miguel Sousa Tavares, in No Teu Deserto.
Todos os dias adormeces depois de ver “Friends”, numa irracional tentativa de te enganares a ti próprio, tentando convencer-te de que não estás sozinho. Nisso, tentas passar uma rasteira a ti próprio. O pior, é que te apercebes antes que o coûp-de-grace faça efeito. Apercebes-te daquilo que a criancinha em ti está a tentar fazer, antes mesmo de te convenceres do contrário. E aí, sim, concluis que não apenas estás sozinho, como também pareces um palerma de 13 anos. Dás-me pena!
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