“-Vou contar-lhe uma história.
E falou de um incerto pai que não sabia dar tamanho amor pelo seu filho. Certa vez registou-se um incêndio no casebre em que viviam. O homem pegou no menino ao colo e se afastou da tragédia, caminhando pela noite fora. Deve ter superado o limite deste mundo pois quando, por fim, decidiu colocá-lo no chão, reparou que já não havia terra. Restava um vazio entre vazios, rompidas nuvens entre demasiados céus. Para si mesmo, o homem concluiu:
-Agora, só no meu colo meu filho encontrará chão.
Nunca esse menino se apercebeu que o imenso território onde depois viveu, cresceu e fez filhos não era senão o resgaço do seu velho progenitor. Muitos anos depois, quando abria a sepultura do pai, chamou o seu filho e lhe disse:
-Vê a terra, filho? Parece areia, pedras e torrões. Mas são braços e abraços".
Mia Couto, in Jesusalém.
Aqui em Maputo. Ao início da noite. Vejo os mails e como torradas com Nutella. Lá fora chove.
Barulhos de fundo.
Lá em baixo os carros apitam, as pessoas quase que ladram.
Nas ruas o Kizomba alegre não pára.
Estou em África, Mwanito!
E falou de um incerto pai que não sabia dar tamanho amor pelo seu filho. Certa vez registou-se um incêndio no casebre em que viviam. O homem pegou no menino ao colo e se afastou da tragédia, caminhando pela noite fora. Deve ter superado o limite deste mundo pois quando, por fim, decidiu colocá-lo no chão, reparou que já não havia terra. Restava um vazio entre vazios, rompidas nuvens entre demasiados céus. Para si mesmo, o homem concluiu:
-Agora, só no meu colo meu filho encontrará chão.
Nunca esse menino se apercebeu que o imenso território onde depois viveu, cresceu e fez filhos não era senão o resgaço do seu velho progenitor. Muitos anos depois, quando abria a sepultura do pai, chamou o seu filho e lhe disse:
-Vê a terra, filho? Parece areia, pedras e torrões. Mas são braços e abraços".
Mia Couto, in Jesusalém.
Aqui em Maputo. Ao início da noite. Vejo os mails e como torradas com Nutella. Lá fora chove.
Barulhos de fundo.
Lá em baixo os carros apitam, as pessoas quase que ladram.
Nas ruas o Kizomba alegre não pára.
Estou em África, Mwanito!
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